Principais disputas cristológicas dos séculos II e III
Disputas estas
que acabaram motivando mudanças nos textos
dos manuscritos do novo
testamento
Aprender essa verdade os conduzirá à salvação. Tal verdade consiste em ensinamentos secretos, misteriosos, “conhecimento” (gnosis), que só pode ser comunicado por um ser divino provindo do domínio celestial. Para os cristãos gnósticos, cristo é o ser divino revelador das verdades de salvação. Em muitos sistemas gnósticos, o cristo sobreveio ao homem Jesus por ocasião de seu batismo, dando-lhe poder para exercer o seu ministério e, no fim, o deixou para que morresse sozinho na cruz. Foi por isso que Jesus bradou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Para esses gnósticos, o cristo abandonou Jesus literalmente (ou o deixou para trás). Contudo, depois da morte de Jesus, o cristo o ressuscitou dos mortos como recompensa por sua fidelidade e continuou, por meio dele, a ensinar a seus discípulos as verdades secretas que conduzem à salvação. Conclusão: Jesus era completamente humano e completamente divino ao mesmo tempo.
1) mudanças para justificar a doutrina que Cristo é Deus
Mudanças anti-adocionistas ou anti-ebionitas:
Evangelho de João 1.1-18 – filho único ou Deus único que está junto do
pai? Nos melhores
manuscritos diz:
... “filho único que está no seio do pai.”
... “igreja do senhor, que ele comprou
com o seu próprio sangue. “
Tal mudança
coloca Jesus como Deus, pois fala de Deus que com seu sangue... E desde quando
que Deus tem sangue? Entendeu?
... “aquele
ou que foi manifestado na carne. “
... “assim sendo, sem Deus ele deve provar a morte por todos.”
manuscritos
o texto diz:
... “tu és meu filho,
hoje eu te gerei”.
Nos melhores manuscritos não constam os textos acima, que foram
acrescentados ou adulterados por copistas tardios
anti-ebionitas ou anti-adocionistas, para justificar que cristo era Deus, porque os adocionistas defendiam que cristo era unicamente homem.
Lucas 22:43. 44 - 43 então, lhe apareceu
um anjo do céu que o confortava. - 44 e, estando em agonia, orava
mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.
Outra vez, disputas teológicas! Será que um dia elas terão
fim?
Lucas 24:12
- 12 Pedro , porém, levantando-se,
correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lenços ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso.
O texto acima de Lucas 24:12,
trata-se de um acréscimo que dá boa impressão à posição anti-doceta, que Jesus somente parecia ser humano, mas não
era, e tal texto vai ao encontro da posição proto-ortodoxa segundo a qual Jesus não era meramente uma espécie de fantasma,
mas tinha um corpo físico, real. E isso era reconhecido por ninguém menos que o principal apóstolo
o próprio Pedro.
Portanto, em vez de encarar o relato do tumulo vazio como uma
“história boba” de algumas mulheres inconfiáveis, o texto agora mostra que o relato não apenas era
crível, mas verdadeiro como Pedro como
testemunha. E o que é mais importante, o verso ressalta a natureza física da
ressurreição, porque a única coisa deixada
no túmulo é uma prova física da
ressurreição: os panos que envolveu o corpo de Jesus . Essa foi uma ressurreição corporal de uma pessoa real.
Resumindo o texto foi acrescentado pelos copistas cristãos que combatiam a cristologia docetista que
defendiam que cristo somente parecia ser humano, apenas dava a impressão
de que era humano, porém era completamente divino.
Lucas 24:51
- 51 aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado
para o céu. 52 então, eles, adorando-o, voltaram
para Jerusalém, tomados de grande
júbilo; 53 e estavam sempre
no templo, louvando a Deus.
O texto em acima não faz parte dos melhores manuscritos, porém consta
na maioria das traduções atuais. Esse
é um acréscimo significativo, porque ressalta a fisicalidade da partida de
Jesus por ocasião de sua ascensão (bem mais forte do que o brando
“ia se retirando”). Esse acréscimo é, de certo modo, intrigante porque o mesmo autor, Lucas, no segundo livro de sua obra, o livro de Atos dos apóstolos,
volta a narrar a ascensão
de Jesus aos céus, mas afirma explicitamente que ela só ocorreu “40 dias” depois da ressurreição. Conforme texto
abaixo:
Atos 1: 1 no primeiro livro relatei, ó Teófilo,
todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, 2 até o dia em que foi recebido
acima, depois de haver dado preceitos pelo espírito santo aos apóstolos que
escolhera; 3 aos quais ele também, depois de haver padecido, apresentou-se
vivo, dando disto muitas provas, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias e falando
das coisas concernentes ao reino de Deus.
9 tendo
dito estas coisas, foi Jesus
elevado à vista deles, e uma nuvem o
recebeu e ocultou aos seus olhos.
Isso torna mais difícil acreditar que Lucas tenha escrito a frase em
questão em Lucas 24:51- dado que, com certeza, não podia acreditar que Jesus ascendera aos céus no mesmo dia em que
ressuscitou, e se ele mesmo Lucas afirma no inicio de seu segundo livro,
Atos dos apóstolos que ele Jesus
ascendeu ao céu 40 dias mais
tarde. Também se deve notar que a palavra-chave em questão (“foi arrebatado ou
foi elevado”) nunca ocorre em nenhum
outro trecho, nem do evangelho de Lucas, nem do livro de Atos dos apóstolos. Por que, então, alguém teria
acrescentado essas palavras? Sabemos que os cristãos proto- ortodoxos queriam enfatizar a natureza
física, real da partida de Jesus da
terra. E eles afirmavam isto contra
os docetas, que defendiam que tudo ocorrera apenas na aparência. Um copista
envolvido nessas controvérsias modificou o texto para destacar o ponto e assim refutar a cristologia
docetista.
3)
mudanças anti-separacionistas
Mudanças para justificar que cristo não era nem homem e nem divino ao
mesmo tempo e que nem se separaram em dado momento.
Hebreus 2:9 – sem Deus provasse a morte por todos ou
pela graça de Deus provasse a morte por todos. Nos melhores manuscritos o texto diz:
... “Assim sendo, sem Deus ele deve provar
a morte por todos.”
Um manuscrito de Marcos não
traz a passagem que Jesus brada : “
Deus meu, Deus meu por que me abandonaste” que está em Marcos 15:34. No lugar
trazia a seguinte mudança:
“meu Deus, meu Deus, por que escarneceste de mim?”
Tal
mudança foi feita para refutar a cristologia separacionista de que cristo se
separou de Jesus na crucificação, e esse texto era o predileto
dos separacionistas para defenderem que cristo abandonou Jesus na hora da crucificação. Este erro, porém, foi há muito tempo
corrigido. Como exemplo final de uma variante
desse tipo, inserida para refutar e barrar a cristologia separacionista
encontramos um texto mudado, que
consta num manuscrito antigo dos primeiros séculos da 1ª epistola de João. A
mais antiga forma do texto diz:
I João 4:“ 2 nisto reconheceis o espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; 3
e todo
espírito que não confessa a Jesus não procede
de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, “
“àquele que divide Jesus ”...

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