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A
mulher flagrada em adultério. João 7:53 até 8:11.
João 8:1-11: 1 Jesus
, entretanto, foi para o monte das oliveiras. 2 de madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os
ensinava. 3 os escribas e fariseus
trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, 4 disseram a Jesus : mestre, esta mulher foi
apanhada em flagrante adultério. 5 e na lei nos mandou Moisés que tais
mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? 6 isto diziam eles tentando-o,
para terem de que o acusar. Mas Jesus , inclinando-se, escrevia na terra com o
dedo. 7 como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: aquele que dentre vós estiver sem
pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. 8
e, tornando a inclinar-se,
continuou a escrever no chão. 9 mas,
ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar
pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. 10 erguendo-se Jesus e
não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: mulher, onde estão
aqueles teus acusadores? Ninguém te
condenou 11 respondeu ela: ninguém,
senhor! Então, lhe disse Jesus : nem eu tampouco te condeno; vai e
não peques mais.
Todo texto acima
não faz parte nos melhores manuscritos.
A
história de Jesus com a mulher
flagrada em adultério é provavelmente a mais célebre história sobre Jesus na bíblia; desde sempre, ela foi
também certamente destaque nas versões hollywoodianas da vida de Jesus . Também teve destaque em a paixão
de cristo, de Mel Gibson, embora o filme se concentre apenas nas últimas horas de Jesus (a história é
tratada em um dos raros flashbacks do filme). Apesar de toda essa sua popularidade, o relato se baseia em apenas uma passagem do novo testamento, em João 7:53 – 8:12, e nem mesmo ali parece fazer parte do contexto original.
O quadro da história é familiar. Jesus está ensinando no templo, e um
grupo de escribas e fariseus, seus inimigos
jurados, se aproxima dele trazendo consigo uma mulher “que fora pega em
flagrante no ato de adultério”. Eles
a trazem à presença de Jesus porque
querem pô-lo à prova. A lei de Moisés é o que
dizem a Jesus , prescreve
que uma mulher dessas seja apedrejada até a morte; mas eles querem saber o que ele tem a dizer sobre o caso. Devem
apedrejá-la ou mostrar misericórdia para com ela? Naturalmente, trata-se de uma armadilha. Se Jesus lhes disser para libertar a mulher, será acusado de violar a lei de Deus; se lhes disser para apedrejá-la, será acusado de negligência para com seus próprios ensinamentos de amor, misericórdia e perdão.
Jesus não responde de imediato. Em vez disso,
abaixa-se para escrever na areia. Quando eles dão seguimento a seu questionamento, ele lhes diz: “aquele que não
tem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra”. E volta a
escrever na areia, enquanto
aqueles que tinham trazido a mulher começam a
sair de cena. Evidentemente convictos de seu próprio
malfeito, até que ninguém restou,
além da mulher. Levantando os
olhos, Jesus diz: “mulher, onde estão todos? Ninguém te condenou? “ e ela
replica: ‘ninguém, senhor”. Ele então responde: “nem
eu te condeno. Vai e não peques mais”.
Claro que para um leitor atento a história
suscita várias perguntas. Se essa mulher foi pega em flagrante
de adultério, por exemplo, onde está o homem com quem ela foi pega em
ato de adultério? De acordo com a
lei de Moisés ambos devem ser apedrejados,
conforme textos abaixo:
Levítico 20:10 - se um homem
adulterar com a mulher
do seu próximo, será morto o adúltero e a
adúltera.
Deuteronômio 22:22 - se um homem for achado deitado
com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão o homem que se
deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal
de Israel.
Apesar
do brilhantismo da história, de sua cativante qualidade e de seu enredo
próprio, ela suscita um outro
problema enorme. Ao que tudo indica, ela não é parte original do evangelho de
João. De fato, não é parte original
de nenhum dos quatro evangelhos. Foi acrescentada por copistas posteriores. Como sabemos disso? Na
realidade, pesquisadores que estudam a tradição manuscrita não têm dúvidas
sobre esse caso particular. De
momento posso simplesmente indicar poucos fatos básicos que se demonstraram convincentes para quase todos os
pesquisadores de variadas tendências: a história não se encontra em nossos mais antigos e melhores manuscritos
do evangelho de João; seu estilo de escrita é muito diferente daquele que é encontrado no restante do
evangelho de João (incluindo os
Relatos que vêm imediatamente antes
e depois); e ela inclui um grande numero de termos e frases que são, por outro
lado, estranhas ao evangelho. A conclusão é inevitável:
essa passagem originalmente não faz parte do evangelho.
Como então ela foi acrescentada? Há numerosas teorias acerca disso.
Muitos pesquisadores pensam que provavelmente se tratava de um relato bem
conhecido que circulava na tradição oral sobre Jesus , que a certa altura foi acrescentado à margem de
algum manuscrito. A partir daí, algum copista ou alguém achou que a nota marginal devia ser parte do
texto e a inseriu imediatamente depois da narrativa que acaba em João
7:52. Deve-se notar que outros copistas inseriram o relato em diferentes
pontos do evangelho, alguns deles depois de João 21:25, e outros, o que é bem interessante, depois de Lucas 21,38.
Isso naturalmente deixa os leitores em um dilema: se essa história não
fazia parte originalmente do evangelho
de João, pode ser considerada parte da bíblia sagrada e inspirada por Deus?
Para a maioria dos críticos e pesquisadores textuais a resposta é: “não!”
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